segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ela riu.Fomos para o jardim,que era aberto aos alunos.Cheio de cerejeiras que eu adorava.Alguns casais namoravam,outros ficavam jogando nos seus novíssimos celulares.Beatriz ficou tagarelando sobre como tinha sido as suas férias,sobre para aonde viajaria no inverno,e no próximo verão.Falou também sobre moda,namoricos casuais,sobre o que faria quando saísse da escola... e continuou falando... e falando...até que os vinte minutos do nosso intervalo se esgotou.Ainda bem,meus ouvidos já estavam doloridos,será que a língua dela não se cansa de falar?Não.Continuei andando para a sala,ouvindo as conversinhas da Beatriz.Eu não podia ser malvada com ela,era a minha única amiga.Foi ela quem me deu a mão quando eu caí e fui motivo de piadas,logo na primeira semana do 1º ano do primário.Ela só era arrumada demais,bonita demais,perfeita demais.Ás vezes irritava.

O diretor deu um comunicado pela rádio que o grêmio tinha instalado.Disse para todos os alunos estarem no pátio para as boas vindas dos calouros do 1º ano do colegial.A festa era para os novatos,mas os veteranos também estavam convidados.Fomos todos.Mais uma tentativa frustrada de chegar perto do Hugo.Dessa vez fui pra a porta,mas dei meia volta para buscar uma “caneta” e assim esbarrando em todo mundo no contra-fluxo,pude simplesmente chegar perto dele,esbarrar no seu corpo monumental e olhar no fundo dos seus olhos.Ele olhou nos meus também e deu uma risadinha de “menina,se toca”.Mas eu ergui minha cabeça e segui em frente.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

paarte 1 de váriias

Ele estava lá. Início do semestre,com os cabelos louros e delicados.Ah, o meu Hugo!Isso não era uma frase que eu soltaria ao lado da minha amiga,a doce,meiga e encantadora Beatriz.Talvez ela desse risada,”isso é um clone,não a Sherazade”!Talvez ficasse calada,muda,como sempre ficava em situações como essas.Entramos na sala,a velha e conhecida sala 201 do corredor norte,do Colégio Santa Marta.Os mesmos amigos,os mesmos professores,a mesma vidinha escolar normal e minimalista de sempre.Sentei no lugar que eu costumava sentar,bem no meio da sala.De frente para os c.d.f’s,de costa para a pequena RockVille da escola.Beatriz sentou na fileira do lado,duas carteiras à minha frente.Gostava de ver os professores falando,e sentindo o pó de giz no rosto.

A chamada começou.Ao chegar no meu nome,disse um “presente”,alto,para que todos notassem que a “estranha” estava na sala.Até que sem perceber,um menino magricelo e alto,chutou a minha cadeira e disse:
- Que mãe desnaturada colocaria o nome da filha de Sherazade?
- Alguém com mais personalidade do que você!

A sala vibrou.Cleiton,meu amigo,que era chamado apenas por Clei, gritou do fundo da sala:
- Essa é a minha garota!

Eu sorri,e abaixei a minha cabeça.Hugo não fez nada,acho que nem sequer escutou minha grosseria,nem a petulância do magricelo.O sinal do primeiro tempo tocou.Uma nova aula começaria,se aquilo pudesse ser chamado de aula.Os professores se apresentavam,diziam como seria sua avaliação durante o ano,faziam chamada e iam embora.Uma professora entrou na sala,pude ouvir que seu nome era Maristela.Ela usava um vestido florido,e acho que nunca mais vou me esquecer daquele vestido,e de como os olhos do Hugo brilharam quando ela passou.

Passaram-se mais intermináveis cinqüenta minutos,e chegou o tão esperado intervalo.Era o único momento do dia em que eu podia me sentir eu mesma.Corri para a porta,enquanto a Beatriz arrumava seu interminável material, e o Hugo cumprimentava as outras novas meninas.Todas louras,espevitadas,sem uniforme e que logo se encaixariam no time de vôlei.Eu também não era adepta ao novo uniforme,mas era uma escola de ensino médio,muito tradicional,então eu caprichava na maquiagem e nos acessórios que ninguém poderia arrancar de mim.Mas naquele “primeiro dia de aula”,eu estava simples, com um jeans e uma blusa preta de renda que realçava meus olhos.

- Oi – eu disse baixinho perto do Hugo
Ele se virou me olhando com desprezo,levantou uma sobrancelha,e não disse nada.

Me senti um lixo.Nunca mais dirigiria uma palavra aquele grosseiro.Se eu fosse mais emotiva,talvez pudessem ver uma lágrima se formando no canto do meu olho,mas eu abaixei a cabeça rápido e limpei.Beatriz chegou
- Aconteceu alguma coisa Shera?
- Não.
- Tem certeza que não quer me contar?
- Deixa de ser enxerida menina,não aconteceu nada,só uma alergia de lápis vagabundo.

“ Me engana que eu gosto”,disse ela baixinho achando que eu não iria ouvir.Umas meninas do time de futebol vieram falar comigo e com a Beatriz.Ela foi falar com elas,toda extrovertida,engraçada e fazendo as “honras da casa” para as novatas.Eu não gostava delas.Sabia de histórias dessa meninas que não deviam nem sequer serem mencionadas...Esperei que a Beatriz voltasse e disse a ela
- Beatriz não anda mais com essas meninas não.Você acaba com você mesma!
Ela fez uma cara de espanto:

- Mas por que?
- Elas não são boas influências,e eu sei que você tem objetivos,é só um conselho ta.
- Ta.
- Mas o que elas fizeram de errado? Perguntou com inocência
- Elas são meio “desviadas” de seu caminho